sexta-feira, 10 de julho de 2009

Renovo

SE esta chuva respondesse meus sussurros talvez eu não me deixasse levar pelo fato de estar só com meus botões. Minha ambiguidade não é provocada mas simplesmente existente e corriqueira. O Médico reprimindo o Monstro dentro de si a todo o tempo.
Se por lentes pareço estar sozinho, sei ainda que não o estou; dentro deste quarto deveras preenchido sinto-me como um completo anacoreta, admirando a complexidade de cada gota cadente deste ambiente vespertino. Não sou um só, jamais quis ser. Estes fragmentos celestiais são tais como meus pensamentos, minhas dúvidas, minhas retóricas; cada qual unindo-se um ao outro, para formar-me no final. Posso nunca entender o propósito desses devaneios, contudo, assim prossigo.
Meus opostos convergem em um ponto crucial - o das minhas decisões. No momento em que devo discernir entre o que me é lícito e o que me convém. Dentro deste caixilho cabem tantas opiniões, bilhetes de cores distintas entre si. Tento tomar um verde, algumas vezes só consigo encontrar tons escuros. Perdão, clamo - este tinha cor rubra.
Que a chuva leve consigo estes papéis!

2 comentários:

Guilherme disse...

Ótimo texto, ótima construção !

Unknown disse...

Amigo,

Transformar pensamentos, mar agitado e indelével, em palavras que os contenham e expressem por completo é uma arte linda de ser vista, revista, destrinchada, apreciada e então convertida de novo em pensamento.

Agradeço o convite de poder transitar por essas vias, meandros de nossa alma, de nosso ser e parabenizo-o pelos escritos e pelas construções.

Beijos,

Ana Paula

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