sexta-feira, 31 de julho de 2009

Mafalda 01



Por sugestão da minha namorada estou no momento lendo o livro "Toda Mafalda" e tenho que dizer que ele é ótimo. Essa garotinha é uma Argentina dos anos 60 mas que continua totalmente atual e vai além de qualquer fronteira geográfica, seja territorial ou política, tem uma visão interessante acerca dos acontecimentos mundiais. E além de tudo tem um quê acentuado de humor. Espero que gostem da tirinha escolhida por mim.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Bicho-teu

Bicho-teu

Quisera eu ser um leão
para que minha grande juba
tu afagasse com carinho

Ou talvez um vira-lata
onde quer que tu se fosse
o teu rastro eu seguiria

Fora eu um tal cavalo branco
contigo cavalgando em minha sela
elegantemente um caminho eu traçaria

Com uma bolsa eu seria um canguru
proteger-te-ia deste mundo tão cruel
vida minha, eu te faria tão feliz

Quem me dera um beija-flor pudesse ser
teu pólen provaria até eu me satisfazer
o restinho eu sopraria para outra de você nascer

Ou quem sabe aquele urso panda
como pinguim eu ficaria até quietinho
só para tu me destinar um abraço e teu carinho

Quizá fosse um belo peixinho-dourado
para um aquário à beira da cama tu me dar
surreal seria passar a noite a te olhar

Até um esquilo construtor eu seria
um abrigo de amor me seria preciso
nesta imensidão do azul do teu sorriso

Seria até um sapo-urso se o quisesse
mas com uma condição eu o seria
apenas se tu inteira a mim me desse

No inverno seria teu joão-de-barro
nossa casinha bem alto eu faria
com frio ou solidão eu jamais te deixaria

Se tu me dissesse um bicho-poeta eu nasceria
poderia dar-te um verso a cada beijo
um poema por sorriso eu dar-te-ia
com palavras mostraria me desejo

Bicho-teu e sonhador é o que sou
deste-me asas ao mostrar-me teu sorriso
neste dia me fizeste alçar voo
voltar à terra já sei que não mais consigo

Com teu amor posso viver
por tuas lágrimas morreria
se me desse todo teu ser
bicho-feliz é o que eu seria


Não faço uso da licença poética pois poeta eu não sou, uso de uma própria licença de apaixonado, pois um amante errante é o que de fato sou. São palavras de um mero amante amado.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Renovo

SE esta chuva respondesse meus sussurros talvez eu não me deixasse levar pelo fato de estar só com meus botões. Minha ambiguidade não é provocada mas simplesmente existente e corriqueira. O Médico reprimindo o Monstro dentro de si a todo o tempo.
Se por lentes pareço estar sozinho, sei ainda que não o estou; dentro deste quarto deveras preenchido sinto-me como um completo anacoreta, admirando a complexidade de cada gota cadente deste ambiente vespertino. Não sou um só, jamais quis ser. Estes fragmentos celestiais são tais como meus pensamentos, minhas dúvidas, minhas retóricas; cada qual unindo-se um ao outro, para formar-me no final. Posso nunca entender o propósito desses devaneios, contudo, assim prossigo.
Meus opostos convergem em um ponto crucial - o das minhas decisões. No momento em que devo discernir entre o que me é lícito e o que me convém. Dentro deste caixilho cabem tantas opiniões, bilhetes de cores distintas entre si. Tento tomar um verde, algumas vezes só consigo encontrar tons escuros. Perdão, clamo - este tinha cor rubra.
Que a chuva leve consigo estes papéis!

domingo, 5 de julho de 2009

Cito-me neste momento

"Descrevo minha vida citando Fulano, O Grande Pensador..." Um momento! A vida não é minha? Pois dou-me o direito merecido de pensar com os meus próprios neurônios!

Talvez a revolta contra os revolucionários tome conta de minhas palavras neste momento fatídico. Penso no porquê de tantos pensadores serem citados por adjacentes ditos pensadores. Creio que nasci com o poder de pensar, tal poder me trouxe até onde estou, não sei bem que lugar é esse, mas eis-me aqui. Penso na vida, na minha, na dos outros.
Como não poderia deixar de ser, penso em pensadores, um bom é conhecido pela massa por Sócrates, "Como diria Sócrates...", consagrado autor de boas "frases de MSN", bela fama. Me simpatizo mais por Hipócrates, talvez por ter que declamar um juramento, chamado Hipocrático - que ao longo da carreira acaba por se tornar hipócrita -, escrito há um bocado de anos atrás, ao término de minha jornada acadêmica. O "pai da medicina" não elaborou pensamentos tão marcantes, mas ele já morreu há um tempo, por que não usá-los?
Por que os pensadores contemporâneos não ganham seu lugar devido em nossa sociedade? Talvez façam sucesso quando suas obras estiverem mofadas o suficiente para estarem prontas para serem admiradas. Tal como o vinho serão os pensamentos? Se Gandhi disse coisas sábias, talvez Platão tenha dito melhor, foi de uma safra boa.
Defendo clichês, ganharam seu espaço por mérito próprio, porém resguardo ainda mais as cabeças pensantes, que pensam sozinhas, que criam teorias ao invés de se acomodar somente discutindo as de outrem.
Não estamos mais na Grécia antiga, secularizar idéias é sim uma arte, mas arte mais bela é a de criar novos pensamentos, novas teorias, sobretudo, novos horizontes.
Não digo que não usei e nem usarei um dia uma frase filosófica antiga, mas tenho orgulho do meu poder de pensar, na mais fundamental das definições, elaborar idéias.
Por favor imortais filósofos, não se contorçam em suas tumbas, sarcófagos ou covas, nada contra os que pensam, somente contra os que pensam que pensam.
PENSE!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Saudade

SOM ouvido por todos, explorados por muitos, definido por não poucos, explicado por alguns. Contudo, nenhum ser vivente jamais pode ignorá-lo.
Sentimento nostálgico que normalmente nos remete à tristeza.
Saudade esta que pode ser de tempos que já não pode voltar; daqueles velhos sonhos, que na infância ainda pareciam ser reais; daquele daquele programa na TV que, ao lado do querido bisavô, passávamos a tarde assistindo; de um tal momento cravado na memória, memória que parece se alojar no peito, indelével por natureza; daquele antigo poema, que já não se pode mais recitar; daquela viagem notória que pareceu durar toda um vida. Saudade simples, às vezes da própria saudade que nos é tirada.
Quem ousaria dizer que a vida seria melhor sem ela? Ou que a mesma vida poderia existir sem ela?
Agradável e perturbadora, repulsivamente convidativa, a amante de casais que a distância insiste em separar. Não importa se vem de preto ou a cavalo, sempre encontra uma maneira de chegar.
Travadora de uma interminável batalha contra os anseios sobre o que há de vir. Muitos deixam-na vencer, acabam por serem, eles próprios, escravizados pela tal saudade. Como um velho armazém, guardam aquele antigo mel, o que antes era doce, hoje já parece fel.
Poetas manejaram este azedume de inspiração, pintaram-na em papel para que outros sentissem sua dor.

Hoje limito-me a citar uns versos de um desses poetas:

"(...)Veja bem além destes fatos vis.
Saiba, traições são bem mais sutis.
Se eu te troquei não foi por maldade.
Amor, veja bem, arranjei alguém
chamado saudade."
(Veja Bem, Meu Bem - Los Hermanos)

Um brinde à esse bucólico sentimento!

sábado, 20 de junho de 2009

Paradoxo Evolutivo

EM meio a um ócio lisonjeiro vou tecendo meu repouso, os sons de Chico já curvam os rumores apolíneos lá de cima. A insônia me convida, junto dela, a vigiar. Palavras se confundem em pensamentos, talvez o sejam mesmo. Pensamentos abstratos assim como eu o sou, já nem sou mais o mesmo de quando o ócio citei. Sendo esse, continuando a ser aquele, almejando ser eu mesmo, vivendo sem pensar no que pensar. Apenas penso, vivo, brindo!