Sentimento nostálgico que normalmente nos remete à tristeza.
Saudade esta que pode ser de tempos que já não pode voltar; daqueles velhos sonhos, que na infância ainda pareciam ser reais; daquele daquele programa na TV que, ao lado do querido bisavô, passávamos a tarde assistindo; de um tal momento cravado na memória, memória que parece se alojar no peito, indelével por natureza; daquele antigo poema, que já não se pode mais recitar; daquela viagem notória que pareceu durar toda um vida. Saudade simples, às vezes da própria saudade que nos é tirada.
Quem ousaria dizer que a vida seria melhor sem ela? Ou que a mesma vida poderia existir sem ela?
Agradável e perturbadora, repulsivamente convidativa, a amante de casais que a distância insiste em separar. Não importa se vem de preto ou a cavalo, sempre encontra uma maneira de chegar.
Travadora de uma interminável batalha contra os anseios sobre o que há de vir. Muitos deixam-na vencer, acabam por serem, eles próprios, escravizados pela tal saudade. Como um velho armazém, guardam aquele antigo mel, o que antes era doce, hoje já parece fel.
Poetas manejaram este azedume de inspiração, pintaram-na em papel para que outros sentissem sua dor.
Hoje limito-me a citar uns versos de um desses poetas:
"(...)Veja bem além destes fatos vis.
Saiba, traições são bem mais sutis.
Se eu te troquei não foi por maldade.
Amor, veja bem, arranjei alguém
chamado saudade."
(Veja Bem, Meu Bem - Los Hermanos)
Saiba, traições são bem mais sutis.
Se eu te troquei não foi por maldade.
Amor, veja bem, arranjei alguém
chamado saudade."
(Veja Bem, Meu Bem - Los Hermanos)
Um brinde à esse bucólico sentimento!
